EMPREGOS

DF tem 178 vagas com salário de até R$ 1.550 que não exigem experiência

Conseguir um emprego não é fácil, ainda mais para quem está procurando a primeira oportunidade no mercado. A exigência de qualificação e experiência é um obstáculo na vida de jovens que buscam entrar no mercado trabalho. Hoje, mais de 14 milhões de brasileiros enfrentam o desemprego, mas os jovens entre 14 e 24 anos são os que têm mais dificuldade de conseguir ter a carteira assinada, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A Secretaria Adjunta de Trabalho do Distrito Federal oferece 178 vagas de trabalho nas agências do trabalhador, com salários de até R$ 1.550. Algumas oportunidades não exigem experiência, como para chapeiro, corretor de imóveis, estoquista, oficial de serviços gerais na manutenção de edificações e vendedor pracista.

Carlos Alberto Ramos, professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB), ressaltou que a taxa de desemprego é sempre maior entre jovens, mas a crise econômica tornou o problema ainda mais grave. “É um período de transição entre a escola e o mercado. Além do problema da falta de experiência, que é um círculo vicioso, muitos jovens não sabem o que querem fazer e não têm foco”, considerou.

A mesma crise que levou milhões de brasileiros a perderem emprego levou mais jovens a procurar emprego para complementar a renda da família. “Muitos jovens querem trabalhar, pois precisam de dinheiro em casa, pois os pais perderam o emprego e a renda caiu”, apontou Rodolfo Peres Torelly, especialista em mercado de trabalho. Mesmo antes de terminar o ensino médio, o estudante João Lucas Linhares Rocha, 18 anos, já está em busca de uma vaga. “Estou desde os 14 anos procurando emprego pra ajudar nas contas de casa. Fiz várias entrevistas, a última foi para o cargo de empacotador em um supermercado. Entreguei o currículo, mas não me chamaram”, contou.

João afirmou que os irmãos também estão procurando uma forma de ajudar no sustento da família. “Meu irmão mais novo tem 14 anos e está procurando estágio, já o mais velho se inscreveu em um curso de eletricista para tentar se destacar no mercado”, disse. É o que fazem muitos jovens que não têm experiência a oferecer.  “Eu comecei a procurar emprego neste ano. Nunca trabalhei, mas, para me preparar, fiz cursos de informática e de administração. Mesmo não sendo chamado para nenhuma entrevista, acredito que esse possa ser o meu diferencial” afirmou o estudante Wesley Freitas da Silva.

Para Torelly, cursos técnicos são uma opção interessante para os jovens. O conhecimento de outro idioma e noções de informática também são habilidades muito requisitadas. “O momento do primeiro emprego é muito importante e também difícil. Por isso, programas de estágio e de aprendizado são boas chances”, afirmou.

Zona de conforto

Firmar-se em um cargo da área de competência é o sonho de muitos brasileiros. E é possível alcançar esse objetivo começando com um estágio. Foi a experiência pela qual passou Renata Barbosa, 33 anos. Após dois anos na empresa, ela foi efetivada e hoje ocupa o cargo de coordenadora de gestão de qualidade da Brasal Refrigerantes. “Foi ótimo ter começado de baixo, porque tive a oportunidade de me desenvolver muito como profissional. Apenas meu curso de formação não me daria a experiência que tenho hoje” disse.  “Como estagiária, eu sempre tive os mesmos afazeres que um analista. A diferença é que, como coordenadora, agora eu tenho autonomia em algumas tarefas e me responsabilizo por elas”, explicou.

De acordo com Tiago Mavichian, diretor da Companhia de Estágios, é perceptível o aumento no volume de cadastros em busca da primeira oportunidade de emprego. “Muitos jovens buscavam apenas por vagas efetivas, mas passaram a ver o estágio como alternativa. Hoje aceitam qualquer tipo de vaga”, disse. “O estagiário gera resultado a curto prazo e a empresa capacita funcionários que podem, um dia, ocupar um lugar no quadro efetivo”, apontou.

Para especialistas, falta de experiência não é desculpa para um currículo em branco. “ Muitos recrutadores estão analisando se a pessoa fez algum curso, participou de alguma palestra, mas, muitas vezes, os jovens não têm isso. É preciso sair da zona de conforto para demonstrar interesse no assunto”, afirmou a especialista em Recursos Humanos Débora Barem, professora do Departamento de Administração da UnB.

Mavichian aconselha mencionar projetos da faculdade, trabalhos voluntários, cursos de idioma e palestras no currículo. “Busque cursos on-line gratuitos, empresas júnior ou projetos que envolvam trabalho de equipe. Já será um grande diferencial”, aconselhou.

EMPREGOS
Empregos. (Foto: Correio Braziliense)

Fonte: Correio Braziliense

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